O que é a tireoidite de Hashimoto
A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune em que o sistema imunológico passa a atacar a glândula tireoide, causando inflamação crônica e, com o tempo, redução da capacidade da glândula de produzir hormônios tireoidianos — o que leva ao hipotireoidismo. É a causa mais comum de hipotireoidismo em países onde a ingestão de iodo é adequada, como o Brasil.
Os sintomas incluem fadiga, ganho de peso, intolerância ao frio, queda de cabelo, pele seca, constipação, alterações de humor e dificuldade de concentração. O diagnóstico é feito por exames de sangue (TSH, T4 livre e anticorpos anti-TPO e anti-tireoglobulina) e, em alguns casos, ultrassonografia da tireoide.
Qual a relação entre alimentação e Hashimoto?
A alimentação não cura o Hashimoto e não substitui o tratamento médico com reposição hormonal, quando indicado. No entanto, ela pode ter um papel de apoio importante em três frentes:
- Modulação da inflamação: um padrão alimentar anti-inflamatório pode contribuir para o bem-estar geral em condições autoimunes.
- Suporte aos nutrientes envolvidos na função tireoidiana: iodo, selênio, zinco e ferro são fundamentais para a produção e conversão dos hormônios tireoidianos.
- Otimização da absorção da medicação: para quem faz reposição com levotiroxina, certos alimentos e horários de ingestão podem interferir na absorção do medicamento.
Alimentos que podem piorar a inflamação em Hashimoto
Embora a resposta seja individual, alguns padrões alimentares costumam ser associados a maior inflamação e devem ser avaliados caso a caso:
- Excesso de alimentos ultraprocessados: ricos em gorduras de baixa qualidade, açúcar e aditivos, contribuem para um estado inflamatório geral.
- Glúten: em algumas pessoas com Hashimoto, especialmente quando há sensibilidade ao glúten associada, a redução do glúten pode trazer melhora de sintomas. Isso não significa que toda pessoa com Hashimoto precise excluir glúten — essa decisão deve ser individualizada.
- Excesso de alimentos goitrogênicos crus em grande quantidade: vegetais como brócolis, couve-flor e repolho contêm compostos que, em quantidades muito elevadas e principalmente crus, podem interferir na captação de iodo pela tireoide. Em quantidades normais e cozidos, esse efeito é mínimo e esses alimentos não precisam ser evitados — pelo contrário, são fontes importantes de nutrientes.
Nutrientes importantes para quem tem Hashimoto
- Selênio: presente em castanha-do-pará, peixes e ovos, está envolvido na conversão do hormônio T4 em T3 (a forma ativa) e tem papel antioxidante na tireoide.
- Iodo: essencial para a produção dos hormônios tireoidianos, mas tanto a deficiência quanto o excesso de iodo podem ser prejudiciais em pessoas com Hashimoto — a suplementação não deve ser feita sem orientação.
- Ferro e vitamina D: deficiências são comuns em pessoas com doenças autoimunes da tireoide e podem piorar sintomas como fadiga.
- Zinco: também participa da síntese e conversão dos hormônios tireoidianos.
Como funciona o protocolo nutricional para Hashimoto
No acompanhamento nutricional para pacientes com Hashimoto, o nutricionista Jecivando Barbosa parte da análise dos exames laboratoriais (incluindo função tireoidiana e níveis de micronutrientes relevantes), histórico de sintomas e medicações em uso. A partir daí, o protocolo costuma envolver:
- Ajuste do padrão alimentar para reduzir ultraprocessados e aumentar alimentos anti-inflamatórios
- Avaliação individualizada da necessidade de redução de glúten ou outros alimentos, com base em sintomas e exames — sem exclusões desnecessárias
- Orientações sobre o melhor horário das refeições em relação à medicação, quando aplicável
- Correção de eventuais deficiências de selênio, ferro, vitamina D e zinco através da alimentação
- Acompanhamento contínuo com reavaliação de exames ao longo do tempo
Vale lembrar que o Hashimoto frequentemente está associado a outras condições, como doenças inflamatórias intestinais e síndrome do intestino irritável. Saiba mais no nosso artigo sobre dieta FODMAP e saúde intestinal, e veja também nossa página de nutrição clínica.
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